sábado, 11 de julho de 2009

Farsa - O Pecado da Relíquia (Sinopse - Teste I)

Perante o tic-tac de ouro depositado no bolso do mais distinto Nobre e contrabandista de relíquias da cidade, uma Freira e um Civil de reputação duvidosa decidem marchar discretamente até ao fundo da questão. Mas qual a intenção? Paralelamente a esta situação, um Polícia vagueia preocupadamente pelas redondezas. Porém, em questões amorosas nem o mais competente agente da autoridade faz frente a um roubo. E olhando para outro lado, como quem não quer ver, considera…

“Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”.

E afasta-se.

ESMAE 2008 - Projecto Fictício



Personagens surreais habitam um mundo paralelo onde o inconsciente é a única passagem para essa realidade. No dia do seu aniversário, Alice, depara-se com um estranho edifício cuja janela triangular ilumina o único objecto presente na sala: um Espelho. A menina curiosa não hesita e decide observar o seu reflexo. Qual o seu espanto quando se vê completamente transformada numa belíssima mulher em forma de medusa... Longos fios de cabelo preto assemelham-se a tentáculos. Apática com tal sensação nem repara que por detrás do seu reflexo se encontra outra pessoa que a chama. Alice aceita o convite. Mas do outro lado do espelho nada é o que parece. A partir deste momento deixar-se-á levar por um labirinto de acontecimentos que mais se parece com um jogo de xadrez onde ela ambiciona atingir a divindade máxima: tornar-se numa das três Górgonas, as rainhas que transformam em pedra todos os homens que para elas olharem.

ESMAE - Produção I


Design Gráfico: Tamara Alves

Encenação: Geoff Beale e Howard Gayton

"O teatro é o privilégio dos fortes."


A vida do artista.

video

Western Spaghetti by PES

Quando não há pão...

Um bem-haja à capacidade de improvisação.

Caracterização - uma pequena amostra
















Caracterização por Cátia Silva e Sophie Mendez.

“Se fores um pessoa com sorte, talvez ao fechares os olhos vejas às vezes, suspenso no escuro, um lago de contornos indistintos e lindas cores claras”


"Passam Uma…Duas…Três Horas"

Apaga a luz. Deita-te. Aninha-te no meio dos cobertores, meu amor, está frio. Fecha os olhos. Adormece. Bom, não é? Abraço-te. Guardo o teu sono.
Passam uma…duas…três horas. Hey, olha! Rápido, olha agora! Não o deixes fugir! Um sonho amor…Não o deixes fugir. Isso! Luta, prende-o a ti. O que vês? Brutal…! Cores suspensas no brilho de uma estrela. Roxo, laranja, amarelo, rosa, azul, verde. Não resistes e salpicas os dedos na tinta. Pintas as quatro paredes vazias do teu quarto. Ouço risos. Brincas gritantemente. Recobres-te de imagens estonteantes. Cantas e arrebatas-me com o vento dos teus movimentos enquanto danças. O meu peito cresce, está prestes a rebentar numa espécie de êxtase que não consigo descrever. Quero falar-te, ter-te no meu colo, embalar-te, proteger-te e assegurar que nunca me foges. Ficar para sempre a menina da sua mãe. Suspiro…Permaneço imóvel olhando simplesmente e sorrindo para ti. Mais uma hora. Então? O que foi? Porque paraste? Vais acordar? Não, espera mais um pouco. Aproveita. Pronto, volta ao teu sono. Descansa. Mas fica atenta, pois a qualquer altura uma outra realidade pode chegar e convidar-te a entrar. E tu aí desse lado, sim, tu mesmo, fecha os olhos também, porque “se fores um pessoa com sorte, talvez ao fechares os olhos vejas às vezes, suspenso no escuro, um lago de contornos indistintos e lindas cores claras”.


Trup'Eça 2008

Co- Autoria de Textos - "NUNCA" a partir de "Peter Pan" de J.M.Barrie (Parte II)


"Pedaços Invisíveis"

Saí do teu ventre seguro e quente para ser acolhida pelos teus braços e inconscientemente reconheci o perfume e voz que me susteve durante tanto tempo e me fez morrer de curiosidade. “Agora és tu que cresces em mim”, pensei. Tentei compreender cada gesto de lábios e mãos. Acho que nos entendíamos na perfeição. Nada mais era preciso. Tudo se tornava maravilhosamente delicado e intenso. E imaginava eu, na minha inocência de criança, que qualquer tipo de separação seria impossível… Triste é saber que estava redondamente enganada. De repente deixei de a conhecer. Tornou-se um ser repugnante e estranho. Agressivo. Despreocupado. Infeliz. Morto. Já não era especial. Tornei-me cada vez mais pequena como que afectada por um doença degenerativa. Desfiz-me em pedaços e inutilmente tentei reconstruir-me. Pois quando um raio de sol incidia sobre eles e os tornava visíveis, Ela esbracejava com toda a sua força, acabando eu por me deixar levar pelo impulso do vento. Assim parei e aceitei o monstro que se tornou. Olhei, via fugir e as lágrimas escorreram-me desenfreadamente pelo rosto. Agora sou mais eu em mim. Cresço rápido.
Há coisas que magoam e espremem o nosso coraçãozinho de tal forma que nos deixam sem ar…

…ODEIO MÃES.

Trup'Eça 2008

Co- Autoria de Textos - "NUNCA" a partir de "Peter Pan" de J.M.Barrie (Parte I)


"Mais de Oitenta Voltas ao Mundo"

A mãe tinha saído de casa e eu aproveitei para fugir do castigo e atravessar a rua para andar de baloiço. Dei mais de 80 voltas ao mundo! Toquei no sol e nas nuvens. Até que…! Oh não! A mãe regressara a casa! Tinha que voar para o quarto! Sorte a minha encontrou uma vizinha e ficou na conversa. Aproveitei então para recuperar da viagem. Fiquei ali sentada a olhar à minha volta. Contemplava todos os gestos, estava atenta a todos os sons. Até que me deparei com um menino mais pequenino que eu. Era incrivelmente bonito e triste ao mesmo tempo. O menino sofria absurdamente porque o pai o tinha proibido de comer chocolates. Ninguém tem o direito de cometer um crime destes. Uma criança não pode viver sem chocolates! Pais de todo o mundo, não façam isso! Se nos querem felizes dêem-nos chocolate! Corri para casa, abri o pote dos doces, coloquei todinho num saco (pronto, quase tudo) e fui levar-lhe. Sentei-me ao lado dele, entreguei-lhe o saco e os seus olhos brilharam como dois pirilampos gigantes. Devorou todos como se fossem os últimos da sua vida! Tentei resistir, mas também não deu. Estávamos os dois bastante deliciados…Nem era preciso falar! De repente… senti algo gelado na orelha. Ups…Mão da mãe!
“Adeus, amiguinhoooooo…!”

Trup'Eça 2008

sexta-feira, 10 de julho de 2009

ESMAE 2008/2009 - Motivações que determinam a opção pelo Teatro e Direcção de Cena

Ouve-se o grito de guerra e inicia-se uma contagem decrescente. Escurecido um lado e iluminado o outro, apenas se sente o vulto e o palrar de uma sociedade, acompanhado por uma música ambiente. E, inquietamente, de corpo trémulo, se espera uma acalmia que não tarda a chegar… Luz nos actores e o espectáculo começa! E, entre tensão e risos, o que demora uma hora resume-se num ápice e no ressoar dos aplausos de uma multidão em delírio. Nasce então o gosto pelo teatro.
Quatro anos e meio sobre um mesmo palco, em digressão com um mundo de pessoas, assistindo a um deambular de personagens distintas e igualmente enriquecedoras, aprendendo a crescer encarando um público crítico, evocando e recriando histórias idealizadas, procurando a oportunidade de, em êxtase, existir em diversas formas e feitios, eu cresci.
Porém, não me bastando, tive a ousadia de me aventurar em novas experiências, encontrando assim Direcção de Cena. E, com alguns conhecimentos (organizando figurinos, anotando um espectáculo, ajudando encenadores), nasce o interesse de me projectar enquanto directora de cena, acreditando num bom desempenho profissional, visando não só adquirir as devidas competências na área como também continuar a assimilar um conjunto de saberes numa variedade de formas e processos de criação teatral. Assim, não conseguindo abstrair-me do desejo de permanecer neste espaço onírico em que aprendi a ser eu própria, decido inscrever-me na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo.
Este não é, de forma alguma, um desejo leviano ou inconsciente. Embora não possa arrogar-me ao direito de afirmar conhecer seja o que for acerca de Direcção de Cena, mundo que ainda pouco domino, conheço-me, no entanto, a mim própria: depois de quatro anos passados a querer viver em cima de um palco, encontro-me agora num momento da minha vida em que quero viver atrás dele. Chego assim à conclusão que aquilo que mais me marcou neste meu percurso não foi o trabalho como actriz em específico, mas sim, mais generalizadamente, o trabalho em Teatro. E como disso eu não consigo, nem quero, abdicar, tento agora ingressar neste curso.
A meu ver, Direcção de Cena permite-me conhecer verdadeiramente o que é o Teatro, pois, forçosamente, um bom director de cena é aquele que conhece a mecânica intrínseca de um dado espectáculo tanto por dentro como por fora, ou seja, tanto artística como tecnicamente, tornando-se assim num intérprete privilegiado das várias linguagens teatrais e servindo como o unificador de todas elas, fornecendo às outras áreas criativas os meios logísticos, informativos, organizacionais e técnicos para que elas se possam expressar de forma plena; em suma, possibilitando que o Teatro aconteça.
Acho que me viciei nisso, nessa vontade de fazer acontecer Teatro, de criar, de ver a realidade desdobrar-se em novas possibilidades e novos espectáculos. Não me consigo imaginar apartada dessa minha vontade e não me consigo imaginar a fazer qualquer outra coisa senão a concretizar essa mesma vontade. Disso, ainda que de mais nada, eu tenho certeza.